Fux absolve Bolsonaro da “trama golpista”, mas condena seus generais de confiança

O ministro Luiz Fux votou por condenar Mauro Cid e Braga Netto pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Para os demais réus, incluindo Jair Bolsonaro, Fux votou pela absolvição de todas as acusações feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre os fundamentos de Fux: que não houve provas suficientes de atos executórios de golpe por parte de Bolsonaro; que algumas acusações tinham “mera cogitação” (ideias ou rascunhos), não executadas; e que houve falhas ou limitações relacionadas ao contraditório ou à forma como se deu a acusação.

Filho de Luiz Fux advogando para financiadores da campanha de Flávio Bolsonaro

Há reportagem do Jornal GN que menciona que Rodrigo Fux, um dos filhos do ministro Luiz Fux, prestou serviços jurídicos para entidades ou empresários que foram financiadores da campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado. Entre esses clientes, menciona-se a Federação dos Práticos, Conapra, e pessoas físicas ligadas a serviços de praticagem, que teriam doado para Flávio.

In Fux We Trust

Luiz Fux e Sérgio Moro parecem personagens de capítulos diferentes da mesma novela: a da Justiça brasileira transformada em espetáculo político. De um lado, Fux, ministro do STF, absolveu Bolsonaro da “trama golpista”, mas condenou seus generais de confiança. O voto foi longo, técnico e cheio de filigranas jurídicas — suficiente para deixar o ex-presidente livre e os coadjuvantes na fogueira. Nas redes, virou meme: “In Fux we trust.”

De outro, Moro, o ex-juiz da Lava Jato, que já teve sua própria legião de fiéis. Durante anos, “In Moro we trust” foi quase mantra: o juiz imparcial que iria purificar a política. Mas bastou virar ministro de Bolsonaro e depois senador para que a fé se transformasse em suspeita. Hoje, para muitos, Moro simboliza o juiz que cruzou a linha entre a toga e o palanque.

No fundo, a comparação expõe o mesmo dilema: confiar cegamente em figuras da Justiça é um risco. Quando a balança da imparcialidade se desequilibra pelo peso da política, a confiança se dissolve em ironia.

E assim, do lavajatismo à trama golpista, resta a dúvida: no Brasil, confiamos na Justiça — ou apenas nos juízes da vez?

Fonte: IA/Foto: Charge? Divulgação

Compartilhe: