O rearranjo partidário da direita em Mato Grosso do Sul transformou o tabuleiro político rumo às eleições de 2026. O governador Eduardo Riedel, agora filiado ao PP, e o ex-governador Reinaldo Azambuja, assumindo o PL, criaram uma fragmentação inédita que favorece o crescimento de Fábio Trad (PT). Uma simulação analítica por municípios-chave do Estado indica que, embora Riedel ainda mantenha vantagem em polos estratégicos como Campo Grande, Três Lagoas e Ponta Porã, Trad assume a dianteira em cidades importantes como Dourados, Naviraí, Aquidauana, Corumbá e Maracaju.
O fator econômico é determinante: o endividamento crescente do Estado, estimado em mais de R$ 9 bilhões, combinado com a queda de aprovação do governo e a fragmentação da direita, amplia a competitividade do petista. “A direita saiu do PSDB rachada e com dois caciques disputando o mesmo eleitorado. Isso favorece um terceiro nome — e hoje, esse nome é Fábio Trad”, afirma um analista político.
O novo tabuleiro político
- Eduardo Riedel (PP): busca reorganizar sua base administrativa e consolidar apoio de prefeitos e vereadores, mas enfrenta resistência dentro do partido.
- Reinaldo Azambuja (PL): articula uma candidatura ao Senado e conta com apoio de Jair Bolsonaro para fortalecer o PL no interior, disputando o eleitorado conservador com Riedel.
- Gerson Claro (PP): presidente da ALEMS, articula candidatura ao Senado, mas é alvo de críticas por gestão de órgãos estaduais.
- Fábio Trad (PT): aposta em discurso de renovação e gestão eficiente, reforçando laços com Lula e setores do MDB e PSD para formar um palanque unificado.
No agregado estadual, a projeção coloca Riedel com 31%, Trad com 28% e Azambuja com 22%, em cenário de empate técnico dentro da margem de erro política simulada.
Mapa político por município
- Riedel (PP) mantém liderança em Campo Grande e Três Lagoas.
- Fábio Trad (PT) assume dianteira em Dourados, Naviraí, Aquidauana, Corumbá e Maracaju.
- PL de Azambuja disputa influência regional, especialmente no interior, enfraquecendo o PP.
Economia e desgaste
A dívida pública crescente impacta diretamente a popularidade do governo. Desde 2023, a alta da folha de pagamento e a queda de arrecadação reduziram investimentos em áreas críticas, abrindo espaço para o discurso oposicionista de que o modelo de gestão da direita “se esgotou”.
Bastidores políticos: alianças e movimentações
- Riedel (PP): mantém encontros com prefeitos para evitar debandada; dez prefeitos do interior estariam sendo assediados pelo PL.
- Azambuja (PL): articula chapa competitiva para Senado e reforça presença nacional com apoio de Bolsonaro.
- Fábio Trad (PT): adota tom pragmático, busca unir MDB, PSD e PSB em palanque único; Lula já sinalizou apoio direto.
- MDB e PSD: avaliam neutralidade, mas tendem a apoiar quem garantir espaço político no Estado; Nelsinho Trad atua como ponte entre legendas.
O que se comenta nos bastidores:
- Desconforto entre antigos aliados tucanos diante do PP de Riedel.
- Lideranças do agronegócio divididas entre PP e PL.
- Petistas voltam a atuar no interior, especialmente em Dourados e Aquidauana.
- Fábio Trad surge como “candidato estratégico” do PT no Centro-Oeste.
Box Metodológico
- Fonte dos dados: simulação analítica baseada em tendências eleitorais, resultados históricos do TSE e cenário fiscal do Estado.
- Período de referência: outubro de 2025.
- Cenários testados:
- Cenário Base: Riedel consolidado no PP, governo com leve recuperação fiscal.
- Cenário de Fragmentação: Azambuja no PL e PP dividido entre correntes locais.
- Margem de erro: ±5 pontos por município.
- Observação: dados são projeções hipotéticas, não constituem pesquisa registrada.
Conclusão
A eleição de 2026 em Mato Grosso do Sul promete ser a mais imprevisível desde o ciclo de Zeca do PT. Com Riedel no PP, Azambuja no PL e Fábio Trad consolidando alianças progressistas, a fragmentação da direita e o desgaste fiscal podem ser determinantes na corrida pelo governo.
Se Trad conseguir articular o palanque, o Estado pode testemunhar uma reconfiguração histórica, com o PT retomando protagonismo político após anos de hegemonia tucana.
Fonte: Lupércio Marques – Rede Agora Brasil Foto: Reprodução/Divulgação








