Comitê Gestor criado por Adriane Lopes ainda “estuda soluções” enquanto pacientes enfrentam falta de medicamentos, superlotação e perdas de recursos federais
A Saúde Pública de Campo Grande (MS) vive um momento crítico. Sem um secretário titular há mais de 40 dias, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) opera sob o comando provisório de um Comitê Gestor criado pela prefeita Adriane Lopes (PP) após a saída de Rosana Leite do cargo. Enquanto a indefinição sobre o comando se arrasta, o sistema dá sinais de colapso, com unidades superlotadas, falta de medicamentos e leitos escassos.
Nesta segunda-feira (14), a Câmara Municipal de Campo Grande realizou uma audiência pública para discutir o desabastecimento de remédios e a situação das unidades de saúde. Participaram parlamentares, técnicos e representantes da gestão municipal — entre eles, Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli, chefe do Comitê Gestor da Saúde e ex-secretária de Saúde de Iguatemi.
A escolha de Ivoni, que tem ligação política com o deputado estadual Lídio Lopes (sem partido) — marido da prefeita Adriane —, gerou críticas por parte de vereadores e servidores, que questionam a falta de transparência nas decisões do grupo gestor e a ausência de ações concretas diante da crise.
Questionada sobre o plano emergencial da Sesau para enfrentar a superlotação e a falta de leitos hospitalares, Ivoni se limitou a dizer que o comitê “está em diálogo com o Estado” para realizar “levantamentos e estudos” sobre as necessidades da Capital.
“Estamos em discussão com o Estado para a gente fazer o levantamento da necessidade de mais leitos, estamos em conversa”, afirmou.
Enquanto isso, pacientes enfrentam longas filas nas unidades básicas e aguardam atendimento em macas nos corredores dos hospitais públicos. Fontes internas da Sesau relatam que muitos contratos estão parados, licitações foram suspensas e o fornecimento de medicamentos básicos — como antibióticos e anti-hipertensivos — encontra-se irregular desde setembro.
A crise, além de afetar diretamente a população, já começa a comprometer o repasse de recursos federais. Por falhas de gestão, ausência de prestação de contas e execução incompleta de convênios, Campo Grande vem perdendo verbas destinadas ao custeio de programas do SUS, como atenção básica e farmácia popular. Técnicos alertam que parte dos recursos do Ministério da Saúde pode ser bloqueada caso a situação administrativa não seja regularizada até o final do ano.
Sem liderança efetiva e sem plano de contingência, a saúde pública de Campo Grande parece à deriva. O comitê, criado para dar respostas rápidas, ainda “estuda” soluções para um problema que já se tornou crônico — e que agora também ameaça o fluxo de recursos federais que sustentam a rede municipal.
Fonte: Redação Rede Agora Brasil (Com informações Correio do Estado/IA) Foto: Ivoni Nabhan, ex-secretária de Saúde de Iguatemi, cidade de Lídio Lopes, marido da prefeita Adriane Lopes, comanda Comitê Gestor – Marcelo Victor








