Entrevista com a senadora Soraya Thronicke, no Jornal da Top

A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana nesta sexta-feira (6), entrevistando a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que abordou diversos tópicos importantes, como a mutilação Genital Feminina no Brasil.

“No Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, não poderia deixar de me expressar, revelando que essa prática, de origem estrangeira, ainda ocorre de forma velada em casas de famílias imigrantes no Brasil. Por isso a importância de levar o tema à discussão, pois, apesar de não ser uma tradição brasileira e ser proibida, acontece secretamente”, revelou.

Ela também avaliou seu mandato como positivo, apesar das dificuldades e do sofrimento por seu posicionamento firme e independente. “Represento o Brasil e Mato Grosso do Sul, acreditando que o país é maior do que a polarização e que as mulheres precisam ter voz”, reforçou.

Soraya Thronicke informou ainda que trouxe para Campo Grande nesta semana o “Prospera MS”, um projeto revolucionário que eleva a agricultura familiar ao seu devido patamar. “A agricultura familiar, responsável por alimentar a população, é composta por grandes produtores em pequenas propriedades”, afirmou, apontando falhas na reforma agrária, como a falta de titulação da terra, que impede os agricultores de acessar linhas de crédito importantes como o Plano Safra.

Conforme a parlamentar, o “Prospera MS” oferece oportunidades para as famílias apresentarem e comercializarem seus produtos em um espaço digno, além de capacitação, resultando em melhoria da qualidade e organização em cooperativas, com produtos de “qualidade de exportação”. “A oitava edição do evento está sendo realizada na Capital, é gratuita e inclui cultura, lazer e gastronomia”, comentou.

A senadora revelou que apresentou um projeto de lei de proteção aos animais chamado de “Lei Orelha”, referindo-se ao recente caso de maus-tratos a um cachorro em Santa Catarina por adolescentes. “A Lei Orelha é um pacote robusto de projetos sobre proteção animal e a necessidade de conscientização, pois a legislação existente ainda não pegou”, revelou.

Ela explicou que propôs um projeto de lei que estenda o conceito de legítima defesa a qualquer ser vivo, inspirada por um incidente com um cavalo em 8 de janeiro. “Também faço parte do pacto nacional contra o feminicídio, dada a alta incidência em Mato Grosso do Sul. O pacto busca uma atuação integrada e efetiva dos três poderes, com grandes investimentos”, informou.

Soraya Thronicke revelou que emendas que indicou em 2019 para a implantação de dez “Salas Lilás” voltadas para mulheres vítimas de violência em Mato Grosso do Sul ainda não foram inauguradas pelo Executivo estadual. “Há uma grande quantidade de projetos de lei de combate à violência contra a mulher que estão parados no Senado, incluindo o meu Projeto de Resolução nº 5/2025, que visa dar prioridade à tramitação desses projetos”, argumentou.

Pré-candidata à reeleição

Ainda durante a entrevista, a parlamentar confirmou sua pré-candidatura à reeleição. “Estou à frente do Podemos, que renasceu no Estado graças ao apoio de um grupo político forte, construído com dificuldade. Estou livre para conduzir minha campanha e não vou precisar me envolver diretamente na campanha presidencial, pois tenho eleitores em diversos espectros políticos”, avisou.

Sobre Mato Grosso do Sul, a senadora garantiu que manterá as alianças e uma relação sólida com o governador Eduardo Riedel (PP) e com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), a quem apoiou quando era o chefe do Executivo. “Reconheço a pré-candidatura do Fábio Trad (PT) ao governo e, por isso, acredito que haverá uma disputa eleitoral no Estado”, disse.

Ela declarou que acredita que as grandes alas políticas nacionais estão mais preocupadas com o Congresso Nacional do que com o Executivo estadual e seu trabalho de reeleição visa o parlamento. “Independentemente de quem esteja no governo, garanto que terei portas abertas e meu foco principal será legislar e cuidar de Mato Grosso do Sul com respeito”, assegurou.

Soraya Thronicke afirmou ainda ter sido “traída” pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), descrevendo isso como um padrão, citando a senadora Tereza Cristina (PP) como outro exemplo desse comportamento.

“Bolsonaro não representa a verdadeira direita, mas sim o ‘bolsonarismo’, que não é conservador (institucionalmente) e é reacionário, tendo tentado um golpe de Estado. Ele tem conceitos subvertidos, pois Bolsonaro não é liberal na economia, já que o liberalismo econômico não se alinha com o conservadorismo de costumes”, destacou.

A senadora criticou a polarização em torno de figuras políticas, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro, afirmando que “o Brasil não se resume a duas figuras”. “Eu trabalho para todos, sem distinção, e recebo políticos de qualquer sigla em meu gabinete, focando no envio de recursos para as comunidades. A prefeita de Campo Grande [Adriane Lopes (PP)] negou recursos de minhas emendas parlamentares – R$10 milhões para a comunidade Mandela e R$25 milhões para infraestrutura – que tinham sido enviados via governo estadual”, lamentou.

Fonte: TOP FM Foto: Divulgação

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