Yané, Campo Grande aos 126 anos

“Yané” é como os Terena dizem “e aí?”, e não poderia haver saudação melhor para esta terça-feira em que celebramos os 126 anos da nossa capital, ao som da cantora terena Regiane Martins, no Mercadão.

Campo Grande é indígena em sua essência. Somos parentes dos povos originários que aqui estavam muito antes de Zé Antônio Pereira “redescobrir” estas terras. Além dos Terena, nossa cidade abriga Guarani, Guató, Kadiwéu, Kaiowá, Atikum, Kiniquinau e Ofaié. Hoje, mais de 5 mil indígenas vivem na capital, quase 3 mil deles Terena — a maior presença urbana do Brasil.

Essa migração começou com a venda de produtos e artesanato e ganhou força nos anos 1930, após a gripe espanhola, formando as primeiras aldeias urbanas. Jovens e adultos seguem esse movimento: alguns permanecem na cidade, outros voltam às aldeias levando estudo e experiência.

Em cada caminho, ecoa o lema Terena: Îti utukopa yoxene — “seu caminho é você quem faz”. Que seja também o lema de Campo Grande. Viva os Terena, viva os povos indígenas e viva nossa Morena de Ipês!

*Bosco Martins é escritor e jornalista

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