Ex-governador retorna ao Legislativo estadual após trajetória marcada por mandatos, disputas eleitorais e protagonismo na política sul-mato-grossense.
A política de Mato Grosso do Sul se prepara para um novo capítulo com o retorno de André Puccinelli à Assembleia Legislativa. Ex-governador do Estado e uma das figuras mais conhecidas da política regional, Puccinelli volta ao centro das atenções com a perspectiva de assumir uma cadeira de deputado estadual a partir de 2027. Seu nome também já circula nos bastidores como possível candidato à presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), uma articulação que poderá ganhar força durante as negociações para a composição da nova Mesa Diretora.
Conhecido por sua personalidade marcante e por uma longa carreira na vida pública, Puccinelli construiu uma trajetória que atravessa diferentes fases da história política sul-mato-grossense. Seu retorno ao Parlamento representa a chegada de uma experiência acumulada em cargos executivos e partidários a um ambiente no qual o diálogo, a articulação entre bancadas e a construção de consensos são fundamentais.
A eventual disputa pela presidência da Casa, entretanto, dependerá das conversas entre os deputados eleitos, da composição das forças partidárias e da formação de maioria. Até que haja uma definição, a possibilidade deve ser tratada como uma articulação política em andamento, e não como uma escolha oficial.
o período de maior projeção de sua carreira política. À frente do governo, esteve no centro das decisões administrativas, econômicas e políticas do Estado, mantendo interlocução com lideranças municipais, empresariais e partidárias.
Sua trajetória também foi marcada por controvérsias e investigações judiciais, aspectos que integram o histórico público de suas administrações e devem ser considerados em qualquer balanço jornalístico de sua passagem pelo poder.
Após deixar o governo, em 2015, Puccinelli continuou participando da política. Em 2022, disputou novamente o Executivo estadual, mas terminou a eleição em terceiro lugar.
Da medicina à vida pública: uma trajetória de décadas
Nascido em 2 de julho de 1948, na Itália, André Puccinelli chegou ao Brasil ainda criança. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, iniciou sua trajetória profissional em Mato Grosso do Sul na década de 1970, atuando como médico em Fátima do Sul. A partir da área da saúde, construiu sua entrada na administração pública e passou a participar da vida política regional. Fonte: Câmara dos Deputados.
Sua carreira política ganhou projeção com a passagem pela Secretaria Estadual de Saúde, seguida da eleição para deputado estadual em 1986. Reeleito em 1990, Puccinelli consolidou sua presença no cenário político estadual antes de conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados, em 1994.
Em 1996, venceu a eleição para a Prefeitura de Campo Grande, assumindo o cargo em janeiro de 1997. A gestão municipal e sua capacidade de articulação política ampliaram sua projeção, levando-o à reeleição em 2000. A Capital tornou-se a principal base de sua trajetória política e o ponto de partida para sua chegada ao Governo do Estado.

Dois mandatos no Governo de Mato Grosso do Sul
Em 2006, André Puccinelli foi eleito governador de Mato Grosso do Sul. Em 2010, conquistou a reeleição, permanecendo no comando do Executivo estadual até janeiro de 2015.
Os dois mandatos representaram o período de maior projeção de sua carreira política. À frente do governo, esteve no centro das decisões administrativas, econômicas e políticas do Estado, mantendo interlocução com lideranças municipais, empresariais e partidárias.
Sua trajetória também foi marcada por controvérsias e investigações judiciais, aspectos que integram o histórico público de suas administrações e devem ser considerados em qualquer balanço jornalístico de sua passagem pelo poder.
40.602 votos: o eleitorado abre as portas para o retorno
Nas eleições de 2026, André Puccinelli voltou a disputar uma vaga no Legislativo estadual pelo MDB e foi eleito deputado estadual com 40.602 votos. O resultado confirmou seu retorno à Assembleia Legislativa, onde já havia exercido dois mandatos no início de sua carreira política. Fonte: ALEMS.
A votação coloca Puccinelli novamente entre os protagonistas da política sul-mato-grossense e demonstra que seu nome continua presente no cenário eleitoral do Estado.
A legislatura que começa em fevereiro de 2027 terá uma característica histórica: três nomes que já ocuparam o Governo de Mato Grosso do Sul — André Puccinelli, Zeca do PT e Londres Machado, que assumiu interinamente o Executivo estadual — estarão reunidos na Assembleia Legislativa. Fonte: ALEMS.
Presidência da Assembleia: a próxima disputa nos bastidores
Com a aproximação da nova legislatura, a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa passa a integrar as articulações políticas. O nome de André Puccinelli é citado nos bastidores como uma possibilidade para o comando da Casa, em razão de sua experiência parlamentar, da passagem pelo Executivo estadual e de sua longa atuação política.
Entretanto, a eleição para a Mesa Diretora depende da formação de maioria entre os deputados. A composição das bancadas, os acordos entre partidos e as conversas com os demais parlamentares serão determinantes para definir quem terá condições de disputar o cargo.
A presidência da Assembleia tem importância estratégica: além de conduzir as sessões e organizar os trabalhos legislativos, o presidente participa da definição da pauta e da coordenação administrativa da instituição.
Caso decida disputar o posto, Puccinelli terá de transformar sua experiência política em apoio parlamentar suficiente para construir uma candidatura competitiva. Até o momento, a possibilidade deve ser tratada como uma movimentação de bastidores, sem confundi-la com uma candidatura oficialmente definida.
Um novo capítulo para um personagem histórico
A volta de André Puccinelli ao Legislativo em 2027 não será apenas o retorno de um ex-governador à atividade parlamentar. Representará também o reencontro de diferentes gerações políticas em uma Assembleia que reunirá ex-governadores, ex-prefeitos e lideranças com experiências distintas na administração pública.
Para seus aliados, sua experiência poderá contribuir para os debates e para a articulação política. Para seus críticos, o retorno também abre espaço para a cobrança de explicações e para a avaliação de seu legado administrativo. Em uma democracia, a trajetória de um agente público deve ser examinada tanto pelos resultados de suas gestões quanto pelas controvérsias e responsabilidades associadas a elas.
O fato é que André Puccinelli volta a ocupar uma cadeira de destaque no cenário político estadual. Eleito com 40.602 votos, o ex-governador inicia uma nova etapa de sua vida pública, agora no Parlamento, em um momento no qual a definição da próxima Mesa Diretora poderá influenciar os rumos políticos da Assembleia Legislativa.
O ano de 2027 marcará, assim, o retorno de um dos nomes mais conhecidos da história política de Mato Grosso do Sul. Se esse retorno também o levará à presidência da Assembleia é uma questão que dependerá das articulações e dos votos dos próprios deputados.
Lupércio Marques – MTB 1412 – Jornalista filiado à ABI (Associação Brasileira de Imprensa)









