A coragem de um povo que enfrentou a seca, a fome e o preconceito contrasta com as acusações de fuga e omissão, e COVARDIA, que marcam o debate político em torno do bolsonarismo.
Sabe qual é a diferença entre um nordestino e um Bolsonaro? O nordestino aprendeu a enfrentar a vida de cabeça erguida, enquanto os Bolsonaros precisam responder por suas próprias escolhas, discursos e atitudes covardes diante do país.
O Nordeste brasileiro é uma região marcada por uma história de resistência. Seu povo enfrentou a seca, a pobreza, a desigualdade e o preconceito sem perder a capacidade de lutar por dignidade. Milhões de nordestinos saíram de suas cidades em busca de oportunidades, construíram famílias, trabalharam duro e ajudaram a erguer o Brasil. Nunca precisaram abandonar sua identidade para demonstrar coragem.
É justamente por isso que a expressão “nordestino não é covarde” carrega um significado que vai muito além de uma provocação política. Ela representa a dignidade de um povo que, apesar das adversidades, aprendeu que coragem não é gritar mais alto, ameaçar adversários ou posar de valente diante das câmeras. Coragem é assumir responsabilidades, enfrentar as consequências dos próprios atos e respeitar as regras democráticas.
A valentia dos discursos e a responsabilidade dos atos
Durante anos, o bolsonarismo construiu parte de sua identidade política em torno de discursos de força, patriotismo, enfrentamento e defesa da pátria. Seus líderes apresentaram-se como defensores intransigentes do Brasil e de suas instituições.
Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: de que vale tanto discurso de coragem quando chega a hora de prestar contas das próprias decisões?
O patriotismo não pode ser uma fantasia usada apenas para conquistar aplausos. A defesa da liberdade não pode servir de justificativa para desprezar as instituições. E a coragem política não pode ser medida pelo volume dos ataques aos adversários, mas pela disposição de assumir as consequências das próprias escolhas.
Quando surgem acusações, investigações ou questionamentos públicos, cabe a cada envolvido apresentar explicações, respeitar o devido processo legal e responder individualmente por seus atos. Ninguém está acima da lei nem o cidadão comum, nem um ex-presidente, nem seus filhos, nem qualquer liderança partidária.
O Brasil não pertence a uma família
A democracia brasileira não é propriedade de Bolsonaro, de seus familiares ou de qualquer grupo político. O país pertence a todos os brasileiros: nordestinos, sulistas, nortistas, sudestinos e centro-oestinos.
Nenhuma família tem o direito de se colocar acima da Constituição. Nenhum líder pode exigir fidelidade absoluta de seus seguidores e, ao mesmo tempo, tratar a responsabilidade pública como se fosse uma questão secundária.
O Brasil precisa de menos bravata e mais compromisso com a democracia. Menos culto a personalidades e mais respeito ao povo. Menos discurso de valentia e mais coragem para assumir os próprios atos.
Porque ser patriota não é apenas vestir as cores da bandeira. É respeitar a Constituição, aceitar as regras democráticas e compreender que ninguém é maior do que o país.
Nordestino não precisa provar sua coragem a Bolsonaro nenhum. O povo brasileiro merece respeito, verdade e responsabilidade de todos aqueles que pretendem falar em seu nome.
- Dedico esta materia a meu Pai, Antonio Marques dos Santos, nascido em Lagoa da Canoa sertão de Alagoas, Nordeste, Brasil.
Por Lupércio Marques – MTB 1412 – Jornalista filiado à ABI (Associação Brasileira de Imprensa)









