ELEIÇÕES 2026: 35,5 MIL VOTOS FORAM REGISTRADOS APÓS AS 17H; DIFERENÇA DE 4,4 MILHÕES GARANTIU VITÓRIA DE LULA

Levantamento com dados do TSE identificou 35.521 confirmações de voto após o horário previsto para o encerramento da votação. Registros não revelam em quem os eleitores votaram, e parte dos dados ainda aguardava validação.

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no domingo, 25 de outubro, terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a prorrogação excepcional do horário de votação passou a ocupar o centro do debate político nacional. Um levantamento realizado pela equipe de Tecnologia Digital de Jornalismo da TV Globo, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), identificou 35.521 confirmações de voto para presidente registradas depois das 17h, horário inicialmente previsto para o encerramento das eleições.

O número foi obtido a partir da análise dos arquivos de funcionamento das urnas eletrônicas, conhecidos como logs, com informações extraídas até as 6h da segunda-feira, 26 de outubro. O levantamento abrangeu 497.897 seções eleitorais e permitiu identificar os horários em que os votos foram confirmados nos equipamentos.

Apesar da repercussão política da medida, os números mostram que o volume de registros posteriores às 17h foi muito inferior à diferença final entre os dois candidatos. Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) por aproximadamente 4,4 milhões de votos.

Prorrogação foi determinada durante a votação

O encerramento da votação estava previsto para as 17h, pelo horário de Brasília. Pouco depois desse horário, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação até as 19h, diante de relatos de dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação.

A decisão não determinou a reabertura de todas as urnas. O Tribunal Superior Eleitoral esclareceu que a votação deveria continuar somente nas seções que ainda não haviam encerrado seus trabalhos.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo informou que tomou conhecimento da decisão pelos canais de imprensa por volta das 17h e comunicou a orientação às zonas eleitorais após confirmar a medida junto ao TSE. Naquele momento, cerca de 80% das seções paulistas já haviam encerrado a votação, o que impossibilitava a reabertura desses equipamentos.

O episódio evidenciou as dificuldades de comunicação entre os órgãos eleitorais e as seções que já estavam concluindo os procedimentos de encerramento.

Como os votos foram contabilizados

O levantamento identificou dois grupos de registros entre as 35.521 confirmações de voto posteriores às 17h.

  • 30.866 votos estavam em seções cujos dados apareciam como totalizados.
  • 4.655 votos estavam em seções cujos dados ainda aguardavam validação na base analisada.

A soma dos dois grupos corresponde ao total de 35.521 confirmações identificadas.

É importante esclarecer que esses registros não significam votos irregulares. Os arquivos de log registram os eventos operacionais das urnas, incluindo o horário de confirmação de cada voto. Eles permitem identificar quando a operação aconteceu, mas não revelam o candidato escolhido pelo eleitor.

Os boletins de urna apresentam o resultado de cada seção eleitoral, enquanto os Registros Digitais do Voto armazenam os votos de maneira que não seja possível identificar o eleitor. O cruzamento dessas fontes permite verificar os resultados e a regularidade dos registros, respeitando o sigilo do voto.

Diferença entre os candidatos foi muito superior

Lula terminou a eleição com cerca de 64,2 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve aproximadamente 59,8 milhões. A diferença ficou em torno de 4,4 milhões de votos, com 51,79% dos votos válidos para Lula e 48,21% para Flávio, segundo o levantamento divulgado nesta segunda-feira.

Mesmo que, hipoteticamente, todas as 35.521 confirmações registradas depois das 17h tivessem sido destinadas a Lula, o número representaria menos de 1% da diferença entre os candidatos. A hipótese, entretanto, não corresponde a um resultado apurado: os logs não identificam a escolha de cada eleitor.

Por esse motivo, a quantidade de votos registrados após o horário previsto não permite, isoladamente, atribuir vantagem eleitoral a qualquer candidatura nem comprovar uma alteração no resultado final.

E os estados que continuaram votando depois das 17h?

Uma das principais questões que permanecem para o acompanhamento jornalístico é a distribuição desses registros por estado, município e seção eleitoral.

O levantamento nacional divulgado até a manhã de segunda-feira apresentou o total de confirmações posteriores às 17h, mas não forneceu, na publicação consultada, uma tabela completa com os números discriminados por unidade da Federação.

Para elaborar esse quadro, é necessário cruzar os arquivos detalhados das urnas com os boletins de urna e os resultados oficiais de cada seção. Também é preciso separar as seções totalizadas daquelas que ainda aguardavam validação.

Sem essa base detalhada, não é possível afirmar com segurança quantos votos foram registrados após as 17h em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Bahia, Paraná, Santa Catarina ou nos demais estados.

Há ainda uma distinção importante: o horário de Brasília não corresponde necessariamente ao horário local de todos os municípios. Uma análise por estado deve considerar o registro temporal dos equipamentos e os procedimentos oficiais de cada seção, evitando confundir o horário nacional de referência com o horário de funcionamento local.

O que os dados permitem concluir

O levantamento representa uma importante fonte de informação para esclarecer a dimensão da prorrogação do horário de votação. Os 35.521 registros identificados oferecem uma medida concreta do número de confirmações posteriores às 17h nos arquivos analisados.

Os dados também demonstram a importância de distinguir três questões: a decisão judicial de prorrogar a votação, o funcionamento efetivo das seções eleitorais e o resultado final da eleição.

A existência de votos registrados após as 17h, por si só, não constitui evidência de fraude. Da mesma forma, a ausência de uma tabela estadual completa no levantamento divulgado não permite presumir que todos os estados tenham tido o mesmo comportamento.

O esclarecimento definitivo sobre a distribuição territorial desses registros depende da consulta aos dados detalhados do processo eleitoral e da validação das seções pendentes.

Por Lupércio Marques – MTB 1412 – Jornalista filiado à ABI (Associação Brasileira de Imprensa)

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